Mostrando postagens com marcador Pablo Neruda. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pablo Neruda. Mostrar todas as postagens
Posted sábado, 5 de fevereiro de 2011 by Névoas Torpes
-


"...Porque em noites como esta tive-a em meus braços, 
a minha alma não se contenta por havê-la perdido. 
Embora seja a última dor que ela me causa, 
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo"...


Neruda
Posted by Névoas Torpes
Os teus pés

Quando não te posso contemplar 
Contemplo os teus pés. 

Teus pés de osso arqueado, 
Teus pequenos pés duros, 

Eu sei que te sustentam 
E que teu doce peso 
Sobre eles se ergue. 

Tua cintura e teus seios, 
A duplicada purpura 
Dos teus mamilos, 
A caixa dos teus olhos 
Que há pouco levantaram voo, 
A larga boca de fruta, 
Tua rubra cabeleira, 
Pequena torre minha. 

Mas se amo os teus pés 
É só porque andaram 
Sobre a terra e sobre 
O vento e sobre a água, 
Até me encontrarem.

Neruda
Posted by Névoas Torpes

Soneto XXV em português

Antes de amar-te, amor, nada era meu:

vacilei pelas ruas e as coisas:
nada contava nem tinha nome:
o mundo era do ar que esperava.

E conheci salões cinzentos,

túneis habitados pela lua,
hangares cruéis que se despediam,
perguntas que insistiam na areia.

Tudo estava vazio, morto e mudo,

caído, abandonado e decaído,
tudo era inalienavelmente alheio,

tudo era dos outros e de ninguém,

até que tua beleza e tua pobreza
de dádivas encheram o outono.

Neruda